segunda-feira, 18 de julho de 2011


Noite de janelas semiabertas para acolher um sinal do inverno. Noite de cobertores e lembranças que deixam dúvidas e um sabor um pouco amargo na boca. Mas o que é o amor? Existe uma regra, uma forma, uma receita? Ou tudo é casual e você só deve esperar ter sorte? Perguntas dificeis enquanto o relógio, assinala meia- noite. Um beijo. Não só um. Outro. E mais um ainda.
Mãos se entrelaçam, olhos que buscam, encontram espaços e novos panoramas. Aquela vez. Momento único. Que gostaria que não terminasse. Que deveria ser o inicio de tudo. Ele me procura, e me diz: " Você é minha. Nunca vou te deixar. Ficamos bem juntos. Eu te amo". E depois ainda: "Onde você estava? Quem era aquele?". É perceber que talvez amar seja outra coisa. É sentir-se leve e livre. É saber que o coração dos outros não lhe é devido, não lhe pertence, não lhe cabe por contrato. A cada dia você deve merecê-lo. E dizê-lo. Dizer a ele. E compreender pelas respostas que talvez seja necessário mudar.
É necessário ir embora para reencontrar o caminho. Agarra o meu braço e aperta com força. Porque, quando alguém que você deseja se vai, você tenta mantê-lo com as suas mãos e espera assim também pernder o coração. E não é assim. O coração tem pernas que você não vê. E "fulano" vai embora dizendo que vai me pagar, mas o amor não é uma dívida a ser liquidada, não dá créditos, não aceita descontos.
Duas lágrimas descem devagar, quase tímidas e preocupadas de sujar o travesseiro. Eu o abraço inteirinho. E por um instante me sinto protegida pelo cobertor que me separa do mundo. Meia-noite e meia. Me reviro novamente. O travesseiro é incômodo. Como um pensamento afiado colocado embaixo do colchão.
E enquanto aperto mais forte o travesseiro penso que talvez o amor verdadeiro seja aquele de meus pais. Um amor simples, feito de jornadas comuns, cada um com seus compromissos. Um amor feito de risadas e brincadeiras quando se volta para casa à noite, feito de cafés da manhã, de filhos para crescer, de projetos ainda não realizados. Sim, os meus pais se amam. Conheceram-se depois de terem amado outras pessoas. E talvez não dessa forma.
Talvez seja necessário viajar antes de compreender qual é a meta certa para nós. Talvez a primeira vez seja a cada vez que amamos.

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