terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Quero falar dela. Sem regras, sem toda essa poesia e essas palavras bonitas. Só quero falar dela. Dela, do jeito que ela fica linda de moletom ou manga cumprida. Do jeito que o cabelo dela bagunça fácil e dos seus olhos lindos. Não sei porque, mas são. Da boca dela, que fica tão engraçada quando mexe. Meio pequena-grande. Das bochechas dela que aumentam quando sorri e do queixo dela todo certinho. Das mãos dela pequenas e daquelas unhas que parecem mais ruídas. Dos dedos pequenos que cabem direitinho no espaço entre os meus. Do pescoço dela que grita pelos meus lábios e do jeito que o nariz é bom pra morder. Do jeito leve que beija e do do como fala baixinho e rápido. Do jeito que anda, do jeito que sorri meio sem jeito, mas que fica tão…linda. Evito elogiar pros outros. Sinto ciúmes. (…) Do jeito que é baixinha e cabe nos meus braços certinho. Do jeito que a cabeça bate no meu peito e dá pra ouvir meu coração bater, eu acho. Do jeito que ri engraçado e do jeito carinhoso que faz carinho. Do jeito que abraça forte, segura a mão forte e faz tudo com firmeza. Do jeito que me dá vontade de ficar abraçado por horas pra proteger do frio. Do jeito que seus pés são pequenos e ficam quase minúsculos perto dos meus gigantes. Do jeito que faz carinho com o pé, no meu pé quando estamos deitados. Do jeito que deita no meu peito e se aconchega. Do jeito que se esconde atrás do cabelo, do jeito que tapa a cara quando está com vergonha. Do jeito que nós dois ficamos bem embaixo do teu cabelo e do jeito que sorri doce. Do jeito que respira ofegante, do jeito que não me deixa desistir. Me dá a mão, vem comigo. Vai ficar tudo bem. Se não der, me abraça e eu te protejo. A gente dá um jeito. A gente sempre dá. Mas vem. Vem? (…) Do jeito que é bom lembrar de você, do jeito que é bom e ao mesmo tempo ruim, ter saudades de você. Do jeito que sorrio quando encaro o teto antes de dormir e digo: “Cara, o que ela tá fazendo?” E me dá uma vontade de ir no teu portão ou te espiar pela janela. Do jeito que me explica as coisas e faz gestos com as mãos. No maior cuidado. Do jeito que chegou, mudando tudo e bagunçando. Tirando tudo do lugar. Mas eu gosto. Gosto dessa bagunça. Gosto dela. Gosto de nós. Gosto do jeito que parecemos tão desajeitados, mal ajeitados, bagunçados. Gosto do jeito. Do nosso jeito. Quero falar sobre isso, pode?"

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